A Escola de Mar promove e realiza projetos de investigação científica (fundamental ou aplicada) e todo o tipo de projetos de carácter técnico. As duas principais áreas de trabalho são a biologia e a história e, dentro destas, os domínios científicos específicos são a biologia marinha, os mamíferos marinhos, impactos das atividades humanas, conservação marinha, ecologia marinha, ecologia histórica, história marítima, história ambiental marinha, história das ciências e a arqueologia. Considerando todos os domínios referidos, com metodologias próprias mas interligadas entre si em vários aspectos, esta iniciativa caracteriza-se particularmente pela sua interdisciplinaridade.

Projectos

Projeto GOLFINHOS DO TEJO: Realidade, Imaginário ou Mito?

Os mitos surgem de fragmentos de eventos reais que aconteceram ou como resultado da imaginação local que se torna, por vezes, em imaginação coletiva. Golfinhos do Tejo? Perguntamos. Eles andam por aí, mas se a sua presença regular, eventualmente com características de residência, foi, e é ainda, uma realidade, não sabemos dizer. Historicamente existem referências à presença de golfinhos no estuário do Tejo dizendo-se, até, que aí existia uma população residente. Nos tempos mais recentes, são vários os relatos que indicam a possibilidade de os golfinhos estarem a voltar ao estuário do Tejo. Mas há que lembrar que, hoje em dia, as pessoas são mais atentas, a comunicação social mais interessada e os relatos globalizam-se à velocidade da luz. No entanto, no fim do século XIX, num tempo de parcas palavras e ainda menos zoólogos, como seria a realidade biológica do Tejo em termos da presença destes mamíferos marinhos?

Não existindo qualquer tipo de trabalhos sobre a ocorrência de golfinhos no interior do estuário do Tejo, e para tentar responder a esta pergunta, tantas vezes debatida, a Escola de Mar, em conjunto com o Centro de Oceanografia, e os Municípios de Cascais e de Almada, deu início ao projeto de investigação “Golfinhos do Tejo”. Realizado entre a região centro da costa continental (entre o Cabo da Roca e o Cabo Espichel, com particular foco no estuário do Tejo), tem como principais objetivos a obtenção de informação relevante sobre a presença de várias espécies de golfinhos no Tejo e a evolução da qualidade do ecossistema estuarino, num contexto espacio-temporal alargado, pretendendo-se também promover a sensibilidade ambiental sobre a conservação do meio estuarino e marinho. Para além das campanhas de investigação previstas para a área de estudo, está agora a ser realizada uma pesquisa em várias fontes históricas para estabelecer uma cronologia das ocorrências. Depois de consultadas várias publicações antigas, foi encontrada uma única referência histórica a cetáceos no Tejo, referente a um arrojamento de uma baleia comum no século XVIII, no jornal Gazeta de Lisboa Ocidental (1723). Mais, alguns naturalistas, como Augusto Nobre (1935), relatam a existência de cetáceos no rio Tejo no início do século XX, mas não referem a presença de populações residentes nesta região, ao contrário do que fizeram para o estuário do Sado. Em jornais atuais, nos blogues e redes sociais, existem também relatos de vários avistamentos de golfinhos-roazes (Tursiops truncatus) e golfinhos-comuns (Delphinus delphis), pelo menos desde 1995 até 2013, em Cascais, Santo Amaro de Oeiras e também em Porto Brandão e Vila Franca de Xira.

É, portanto, uma realidade que os golfinhos, hoje em dia, entram no estuário do Tejo. Mas falta perceber se estes indivíduos estão a retomar hábitos de ocupação de uma antiga área de residência ou simplesmente são visitantes ocasionais de uma zona, agora, com melhor qualidade ambiental e maior disponibilidade de presas. Para breve, esperam-se as respostas. Para já mantêm-se a pergunta.  Golfinhos do Tejo: realidade, imaginário ou mito?


Projeto MORSE

“MORSE – Management of ocean resources under shifting expectations: Bringing the historical perspective into marine mammal conservation” (ANR – Agence Nationale de la Recherche – França)

To investigate the extent to which the introduction of an historical perspective affects perceptions of past human impacts, projections of future change, the goals, targets and options considered, and ultimately the recommendations for conservation and management of marine mammal species (http://www.cefe.cnrs.fr/morse)


Projeto Whaling

On the historical and scientific route of whales and whaling in Portugal and the Portuguese Atlantic in the early modern period (CHAM & Escola de Mar)

Since time immemorial, human beings have been fascinated by whales. The great marine mammals have always captured our imagination, figuring in ancient legends and visual representations as terrifying sea monsters and inspiring poets and artists with their strange grace and immense size. Over the years an entire whale mythology grew up, inspired by the mystery surrounding these creatures’ habits. But the shared history of whales and humans is a bitter one, for the animals have long been hunted for their valuable oil, meat, bones and baleen. For centuries the chase was dangerous and romantic, sending mariners and whalers on perilous voyages in search of profit and adventure. Scientific knowledge about whales and conservationist concerns are, in fact, very recent. It was not until the 18th century that the whale was designated as a mammal rather than a fish, while cetology as a scientific discipline and a branch of zoology dates back only to the 1960s. In Portugal, the history of cetaceans (whales and dolphins) and humans is documented throughout time not only in reports, descriptions, and tales but also in legal documents, laws and regulations, and tithes. In the mainland first references to cetaceans are found since the 13th century, through stranding records, scavenging of whale remains or whaling related activities, registered in several coastal villages. In fact, Portugal together with the Basque Country, the renowned place of birth of occidental whaling, seems to have been an important whaling location where a whale culture has developed. Besides, organized whaling and development of related techniques started in the Iberian Peninsula and moved towards the Atlantic along with the oceanic Portuguese journeys since the 15th and 16th centuries. The present project will start on Portugal mainland and will follow to the Portuguese Atlantic aiming the identification and analysis of the historical and scientific route of the whales and whaling in the early modern Atlantic. This project will allow understanding some aspects of our past, namely the relation between humans and whales in a time of clear exploitation approaches and highly predatory perceptions towards these marine resources and the marine environment. Our study builds on a large timeframe since medieval to early modern times, just before the starting of industrial whaling in Portugal during the late 19th century, and on distinct historical (written, material, heraldry and cartography) and material sources (remnants from whales kept in collections). Aspects of marine environmental history will be addressed engaging with elements from the history of science, also framing Portuguese maritime history within an Atlantic history. Atlantic history is an analytic construct and an explicit category of historical analysis that helps to organize the study of the emergence of this ocean basin as a site for several and distinct forms of exchange, where whaling, whale products trade and scientific knowledge transfer may work, in the future, as unit of coherent analysis for the Atlantic.

Members of the research team: Cristina Brito (CHAM e Escola de Mar); Miguel Seixas (CHAM); António Teixeira (ICNF); Inês Carvalho (Escola de Mar); Vera Jordão (Escola de Mar); Nina Vieria (Escola de Mar e CHAM). Consultants: Graham Pierce, Tim Smith and Ana Rodrigues.


Projeto ROAZES: GENÉTICA E TOXICOLOGIA

“Implementação de um programa de caracterização genética, fisiológica e toxicológica da população de roazes”

O presente projeto tem como objetivo geral caracterizar em termos genéticos, fisiológicos e toxicológicos os indivíduos da população residente de roazes da região do Sado. A primeira fase deste projeto foca-se na caracterização genética da população, o objetivo principal é conhecer a estrutura populacional e a história demográfica desta pequena população, Informações relativas ao sex ratio, parentesco entre os indivíduos, e ao  grau de isolamento da população relativamente a outras populações costeiras serão obtidas durante o desenvolvimento deste projeto. 

Este projeto  é desenvolvido pela Associação para as Ciências do Mar em parceria com a Escola de Mar. Conta ainda com a colaboração do ICNF  e da Reserva Natural do Estuário do Sado (RNES).

Este projeto decorre no âmbito do Plano de Acção para a Salvaguarda e Monitorização da População de Roazes do Estuário do Sado (http://www.icnf.pt/portal/naturaclas/gest-biodiv1/roazes-do-sado) aprovado em 2009 e com o apoio financeiro da Tróia Natura.


Projeto ROAZES: HABITAT E SIMPATRIA

“Estudo da utilização de habitat pela população residente de roazes do estuário do Sado (T.truncatus) e das interacções simpátricas intra-especificas na zona costeira adjacente”

Considerando a ocorrência costeira de populações de roazes, e outras espécies de cetáceos, nas águas adjacentes ao estuário do Sado onde habita a população residente de roazes, torna-se fundamental desenvolver um estudo continuado para a avaliar as interacções entre populações costeiras e a residente. Assim sendo, este Projeto visa estudar as interacções entre a população de roazes do Sado e outras populações costeiras de cetáceos. A obtenção de dados contínuos ao longo do tempo é primordial para efectuar comparações entre o estuário do Sado e as zonas costeiras adjacentes e sugerir medidas de conservação apropriadas. Este Projeto irá desenvolver-se recorrendo ao método de saídas de mar com transectos pré-definidos, ao longo da costa entre o Cabo Espichel e a foz do Sado, e a zona costeira marinha da península de Tróia. No decorrer das saídas será utilizada a técnica de foto-identificação para reconhecimento individual dos roazes e posterior análise em catálogo fotográfico.

Este Projeto realiza-se através duma parceria entre a Escola de Mar, a Associação Para as Ciências do Mar e o ICNB (Reserva Natural do estuário do Sado) e tem o seu início em Janeiro de 2011.

No âmbito do Plano de Acção para a Salvaguarda e Monitorização da População de Roazes do Estuário do Sado (http://roazesdosado.icnb.pt) aprovado em 2009 e com o apoio financeiro da Tróia Natura.


Projeto CETACEA CENTRAL

Ecologia e conservação de cetáceos na zona centro de Portugal continental

Nos últimos anos, estudos da Escola de Mar na zona de Sesimbra, Nazaré e Póvoa de Varzim indicam uma presença anual de golfinho-comum (Delphinus delphis) na costa continental portuguesa e de variações nas espécies que o seguem, ao nível da frequência de avistamento, consoante a zona amostrada. Utilizam também a zona centro da costa portuguesa, roaz (Tursiops truncatus), golfinho-riscado (Stenella coeruleoalba) e baleia-anã (Balaenoptera acutorostrata) (Brito et al., 2009; Brito et al., 2010).

O Projeto CETACEA CENTRAL tem como objectivo a compilação de conhecimento sobre as espécies de cetáceos que ocorrem na costa de Sines até á Nazaré e, consequentemente, permitir uma gestão mais sustentável destas áreas marinhas também através da sensibilização da população local e visitante. Este fim será atingido através de duas abordagens: (1) análise científica através da recolha de dados visando a caracterização da fauna cetológica (ocorrência, diversidade, abundância, simpatria e ecologia comportamental); (2) sensibilização ambiental e participação pública através do programa ”Avisa Qu’é Golfinho!”.


CETÁCEOS DE PORTUGAL: PASSADO, PRESENTE E FUTURO

Este é um Projeto de investigação científica sobre a biologia e a ocorrência de espécies de cetáceos, na costa continental portuguesa, com características muito abrangentes e descentralizado. Permitirá a realização de saídas de investigação na costa continental portuguesa, para a realização de surveys visuais com vista à detecão de grupos de cetáceos, sua ocorrência e distribuição preferencial. Serão determinadas as espécies com maior importância na nossa costa, bem como aquelas que enfrentam maiores perigos como resultado das acções humanas, especialmente as que constituem muitas vezes um by-catch em diversas artes de pesca. De igual modo, este Projeto permitirá abordar alguns aspectos comportamentais e sociais de cetáceos oceânicos ao longo do nosso litoral.

A ocorrência de golfinhos comuns em Sesimbra – desde a sua caça histórica até à sua conservação – é um dos aspectos que faz parte deste Projeto interdisciplinar que pretende juntar o domínio da história ao da biologia. O seu objectivo em particular é a compreensão dos impactos das actividades humanas sobre as populações de golfinhos costeiros e o estudo da sua distribuição para o estabelecimento de medidas de conservação.


Os mamíferos marinhos nas viagens marítimas portuguesas no Atlântico durante os séculos XV a XVI: A evolução da ciência e do conheciment

Projeto de doutoramento, de Cristina Brito, pelo CHAM – Centro de História de Além Mar – da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. O principal objectivo deste Projeto de doutoramento em História consiste um estudar a presença dos mamíferos marinhos nas viagens marítimas portuguesas no Atlântico, e as suas interligações com os homens do mar. Serão investigadas informações desde os primórdios até à actualidade, mas com especial incidência no período da expansão portuguesa, entre os séculos XVI e XVII. Foram abordadas tanto a vertente histórica, como os aspectos culturais e científicos inerentes a esta temática.Este trabalho foi um estudo sistemático e rigoroso de recolha de dados históricos sobre a presença e influência dos grandes animais marinhos na exploração do Oceano Atlântico.

Dra. Cristina Brito
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PARA LÁ DA SUPERFÍCIE

Este é um Projeto de divulgação científica e ambiental inteiramente dedicado ao mar, ao ecossistema marinho e aos grandes animais que nele habitam. Será dado particular ênfase à biologia dos cetáceos – Baleias e Golfinhos -, mas será igualmente abordada a biologia e a conservação de outros animais representativos dos ecossistemas marinhos oceânicos como os tubarões e as raias, as tartarugas marinhas e as aves marinhas. Este Projeto teve o seu início em 2006 e terá continuidade até 2010.

No âmbito deste Projeto serão realizadas palestras, workshops práticos, cursos e outras acções de divulgação científica e ambiental, vocacionadas para diversas faixas etárias e vários níveis escolares. Serão desenvolvidas actividades de investigação científica com saídas de mar para observação e identificação de espécies de golfinhos nalgumas zonas costeiras de Portugal. Será feito o estudo sobre a distribuição e ocorrência histórica de cetáceos no Atlântico com base em dados de baleação dos séculos XIX e XX, com respectiva recolha de dados em bibliotecas e arquivos, análise científica de dados recolhidos, estudo e publicação dos dados científicos analisados. Perspectiva-se ainda a produção de material didáctico e de divulgação, como livros, brochuras e outros, a realização de exposições fotográficas e de artes plásticas e a realização de um congresso internacional sobre a biologia e a história do mar.
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ENTRE A TERRA E O MAR

Este é um Projeto de divulgação e educação ambiental cujo principal objectivo é alertar as populações costeiras, nomeadamente de Sesimbra e Lisboa, para o ambiente marinho que os rodeia. Aspectos da fauna marinha são abordados, passando desde as aves marinhas aos grandes predadores de topo como os golfinhos e tubarões. As principais actividades desenvolvidas são interactivas recorrendo ao uso de bonecos, jogos e fichas de trabalho. São realizadas saídas de mar com crianças e jovens. Este Projeto tem o apoio financeiro do Project AWARE Foundation.
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